Pesquisa aponta desafios enfrentados por professores da rede municipal de Cascavel
Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), com financiamento do Sindicato dos(as) Professores(as) da Rede Pública Municipal de Ensino
Por Gabriel Porta
Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), com financiamento do Sindicato dos(as) Professores(as) da Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel (Siprovel), traz um diagnóstico sobre as condições de trabalho de professores na rede municipal de educação. A pesquisa, intitulada “Condições de Trabalho Docente na Rede Municipal de Educação de Cascavel”, ouviu 524 profissionais no final de 2024 e identificou questões como sobrecarga de trabalho, falta de profissionais, infraestrutura inadequada e impactos na saúde mental.
Segundo o relatório, 79% dos professores afirmam que as turmas têm mais alunos do que o recomendado, o que dificulta o atendimento individualizado e o desenvolvimento pedagógico. Além disso, 49% das escolas enfrentam falta de docentes ou professores de educação infantil, e 55% relatam carência de agentes de apoio.
A infraestrutura também foi apontada como um problema. Embora 65% das salas de aula tenham ar-condicionado, 31% dos aparelhos não funcionam adequadamente. Quase metade dos espaços destinados à hora-atividade (47%) e 44% dos locais para aulas de educação física são considerados parcialmente adequados ou insuficientes.
Os impactos na saúde mental dos docentes são significativos: 92% relatam que o trabalho afeta negativamente seu bem-estar, e 55% já buscaram auxílio psicológico ou psiquiátrico devido às condições de trabalho. Ainda, 60% dos entrevistados afirmam já ter sofrido assédio moral.
O Siprovel listou como prioridades da categoria, como: Redução da sobrecarga de trabalho, com a contratação de mais profissionais e a garantia de turmas com número adequado de alunos; melhoria da infraestrutura escolar, incluindo climatização adequada, manutenção dos equipamentos e espaços apropriados para a hora-atividade e aulas de educação física; valorização salarial, com o cumprimento do piso do magistério e a correção das defasagens acumuladas; combate ao assédio, com a implementação de políticas de prevenção e apoio às vítimas; gestão democrática, com participação dos(as) professores(as) nas decisões da Secretaria Municipal de Educação e das unidades escolares.
O relatório foi encaminhado às presidentes do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb (CACS/Fundeb), Roseli Barossi, e do Conselho Municipal de Educação (CME), Janete Ritter, além da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Cascavel, composta pelos vereadores Carlos Xavier (Presidente), Bia Alcântara (Secretária) e Antonio Marcos (Membro).
A presidenta do Siprovel, Gilsiane Quelin Peiter, reforça que a pesquisa é um instrumento fundamental para embasar a luta da categoria por melhores condições de trabalho. “Os dados revelam uma realidade alarmante, que exige ações urgentes por parte da administração municipal. A valorização dos(as) professores(as) é essencial para garantir uma educação pública de qualidade”, afirma.
Vale lembrar que, na semana passada (dia 19), os professores aprovaram em Assembleia Geral Extraordinária um reajuste salarial. A categoria discutiu e aprovou por unanimidade o aumento de 6,27% no Piso Salarial do Magistério para 2025, conforme proposta da administração municipal. O reajuste será pago em parcela única a partir da folha de maio.
Também foi aprovado o pagamento da defasagem acumulada de 22,36% referente aos anos anteriores, com previsão de implementação a partir de junho. A diretoria do sindicato apresentou a proposta sem objeções por parte dos docentes presentes
