Ataque e silenciamento: Vereadora afirma ter sofrido violência política 

O climão aconteceu na última audiência pública na quinta-feira (27) durante a audiência pública que discutia os aumentos incomuns da Copel na região Oeste

Por Gazeta do Paraná

Ataque e silenciamento: Vereadora afirma ter sofrido violência política 

A vereadora Bia Alcantara (PT) alegou ter sofrido ataques, silenciamento e violência política na última audiência pública, quinta-feira (27), realizada na Câmara de Vereadores de Cascavel. A audiência tinha como objetivo discutir os valores incomuns cobrados pela Copel (Companhia Paranaense de Energia). Na ocasião, a vereadora fez críticas à privatização da companhia e citou o nome do governador Ratinho JR em  seu discurso.

Durante a sua fala, a vereadora comentou a relação entre o aumento significativo das tarifas da Copel com a privatização. Ainda em seu discurso a vereadora disse a seguinte frase: “O governador falou: ‘vende a Copel que melhora! E melhorou, melhorou para os acionistas que estão enchendo os bolsos com nosso dinheiro”, finaliza.

Segundo a vereadora, o primeiro a fazer comentários que geraram desconfortos foi o vereador Serginho Ribeiro (PSD). Em seu discurso disse que o atual presidente vendeu o país, e disse ainda que o dinheiro está indo para Cuba e Venezuela, alegando a culpa ao governo do PT,  do qual a vereadora faz parte.  

Na sequência foi a vez do vereador Fão do Bolsonaro (PL) que também teve direito a fala. E segundo a vereadora foi silenciada pelo parlamentar. Ele citou duas vezes o nome da vereadora Bia Alcantara, ampliando suas críticas ao governo federal sem relação direta com a pauta da audiência, afirma  a vereadora.

A parlamentar disse que as manifestações foram de fato fora do contexto, solicitou questão de ordem com base no artigo 194 do Regimento Interno da Câmara, para garantir o cumprimento das normas e o retorno à pauta da audiência. Mas foi negada pelo vereador que presidiu a audiência, Everton Guimarães (PMB), que teve a fala cortada, já que o microfone foi desligado. 

Em sua manifestação, a vereadora questionou a postura do presidente, ressaltando o desrespeito e a reincidência de comportamentos desviados do tema por parte dos colegas, especialmente do vereador Fão do Bolsonaro, que mesmo após o pedido do presidente, continuou fazendo menções ao governo atual, alheio à discussão. 

A vereadora Bia Alcântara decidiu se retirar da audiência pública, visivelmente incomodada com a situação. 

O que diz Fão do Bolsonaro (PL)

A Gazeta do Paraná entrou em contato com o vereador Fão do Bolsonaro (PL) e o mesmo alegou que em momento algum faltou com respeito ou agiu com violência contra a vereadora. 

“Durante a audiência pública, a vereadora Bia teve seu tempo de fala garantido pelo regimento interno e usou esse espaço para criticar com veemência o governo estadual e a privatização da Copel. Sua fala foi respeitada sem interrupção ou desrespeito. No meu tempo de fala fiz críticas de maneira objetiva e respeitosa, destacando que a privatização, quando conduzida com competência, traz benefícios reais para a sociedade”, disse. 

O vereador disse ainda que não estávamos em uma sessão ordinária, onde os vereadores podem interromper discursos por “questão de ordem” ou “parte solicitada”, mesmo fora do seu tempo de fala. Em audiência pública, cada vereador só pode se manifestar durante seu tempo de fala, sem interrupções. Essa regra não é mero formalismo, mas a garantia de ordem e seriedade no debate.

“A atitude da vereadora de virar as costas aos colegas, e fazendo acusações infundadas, demonstra, na prática, um comportamento desrespeitoso e agressivo, incompatível com o ambiente de debate que o parlamento deve promover. Essa acusação não passa de uma tentativa de vitimismo descarado da vereadora. Aqui, todas as opiniões e gêneros são respeitados. Respeito não é sinônimo de concordância, mas sim de debater e discordar com civilidade e firmeza”, disse Fão Bolsonaro.

O que diz Serginho Ribeiro (PSD)?

O vereador disse que a forma de se expressar durante a audiência foi muito tranquila e que se ateve ao tema sobre a Copel sobre os avanços para Cascavel e região. 

“Minha fala foi muito tranquila, teve uma fala de privatização estadual, eu falei que o governo federal praticamente está vendendo o Brasil todo pra Cuba e Venezuela e também privatizou muitas estatais. Na minha fala falei que o governo federal teve privatizações onde a vereadora citou também o governo estadual também privatizou, mas teve privatizações tanto de um lado como do outro. Foi uma defesa do governo estadual de privatizar a Copel que foi de um entendimento técnico”, destaca Serginho. 

A Gazeta entrou em contato com o vereador, Everton Guimarães (PMB), mas até o fechamento desta edição não tivemos retorno do mesmo. 

O que diz Everton Ribeiro (PMB)?

O vereador Everton Ribeiro disse que presidiu toda a sessão com isonomia e imparcialidade.

“O vereador Fão e a vereadora Bia fizeram discursos voltados para seus públicos, um falando do Governador Ratinho Jr. e outro do Presidente Lula. A discussão tinha como objetivo resolver o problema em questão: medidores e falta de energia na zona rural. Ambos, em suas falas, não foram cerceados; apesar de desviarem um pouco o foco, lembro também que o Vereador Serginho fez o mesmo, e eu o adverti para não fugir do tema. Após a fala do vereador Fão, o representante da Copel respondeu, e, em seguida, a Vereadora pediu questão de ordem para rebater a fala dele em relação ao Lula e ao governo federa”, afirmou.

 

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