Em greve, funcionários liberam cancelas na praça de pedágio de Irati

Funcionários da Via Araucária estão em greve desde a semana passada, e nesta quarta-feira liberaram passagem gratuita de veículos na praça de Irati

Por Da Redação

Em greve, funcionários liberam cancelas na praça de pedágio de Irati

Pouco mais de um ano após assumir a administração de um dos lotes do pedágio do Paraná, a concessionária Via Araucária enfrenta uma greve de trabalhadores que expõe a insatisfação da categoria com as condições de trabalho e salários. A paralisação no pedágio teve início na manhã de quarta-feira (02) e resultou na abertura das cancelas da praça de pedágio de Irati, na BR-277. O movimento reivindica melhores salários, benefícios e condições de trabalho, demonstrando um problema na relação entre empresa e funcionários. A greve se arrasta desde a semana passada. Na sexta-feira, dia 28, uma reunião foi realizada entre o Sindicato e a concessionária, mas não houve acordo.

A manifestação, que aconteceu no quilômetro 249 da BR-277, conta com a adesão de cerca de 200 trabalhadores, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Paraná (Sintrapav-PR). Além da praça de Irati, piquetes também foram realizados na sede da empresa, em Campo Largo. Os grevistas reivindicam um reajuste nos pisos salariais, aumento do valor do vale-refeição, inclusão de benefícios como cesta básica, café da manhã e lanche da tarde, além do pagamento de horas extras, atualmente substituídas por um sistema de banco de horas.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) esteve presente no local desde o início da manifestação, garantindo a fluidez do trânsito e a segurança dos envolvidos. Segundo a PRF, a paralisação durou cerca de duas horas e transcorreu de maneira pacífica, sem bloqueios na rodovia. Durante o protesto, os motoristas puderam passar livremente pela praça de pedágio, sem necessidade de pagamento.

Divergência sindical

Segundo o Sintrapav-PR, a concessionária se recusa a negociar diretamente com o sindicato e tem seguido a convenção coletiva do Sindicato dos Empregados nas Concessionárias no Ramo de Rodovias e Estradas em Geral do Paraná (Sindicrep-PR), que prevê pisos salariais inferiores e menos benefícios. Para os trabalhadores, essa decisão da empresa resulta em condições mais precárias em comparação a outras concessionárias do setor.

“Tem salário aqui de R$ 600 a R$ 700 abaixo do piso. Tem trabalhador debaixo do sol com salário que não sobra R$ 1 mil. Não tem alimentação, tem que trazer de casa, a nossa convenção estabelece alimentação todo dia gratuita e cartão alimentação. Não temos banco de horas, cesta básica, entre outros benefícios. Nossa briga é para que a empresa sente com o sindicato e estabeleça regra” afirmou Paulo Cruz, dirigente do Sintrapav-PR.

De acordo com a categoria, os empregados da Via Araucária recebem atualmente pouco mais de R$ 1.500,00 mensais e não contam com refeições fornecidas pela empresa durante a jornada de trabalho. Após dez dias de greve, os trabalhadores seguem sem uma proposta de negociação por parte da concessionária, o que tem ampliado o desgaste e aumentado a possibilidade de expandidas do movimento para outras praças de pedágio administradas pela empresa, como a de São Luiz do Purunã.

“Esse problema se arrasta desde que a Via Araucária venceu a licitação e o Sintrapav/PR já alertou a empresa por diversas vezes, mas todas em vão. Dessa forma, a única alternativa que restou foi a greve. Os trabalhadores não aceitam essa imposição e querem o devido respeito aos seus direitos”, afirma Paulo Cruz, dirigente do Sintrapav/PR.

Empresa critica protesto

Em nota, a Via Araucária classificou a ocupação da praça de pedágio de Irati como ilegal e prejudicial tanto para a concessionária quanto para as prefeituras que recebem ISS do pedágio. A empresa também ressaltou que todos os direitos trabalhistas dos empregados estão sendo rigorosamente cumpridos e que as medidas legais cabíveis estão sendo tomadas para reestabelecer a normalidade da operação.

O movimento de greve em uma concessionária de pedágios chama atenção pela raridade de paralisações em empresas privadas, principalmente no setor rodoviário.

Confira a nota da Via Araucária na íntegra:

A Via Araucária informa que na manhã desta quarta-feira (02), membros do sindicato Sintrapav-PR, juntamente com alguns colaboradores do setor de conservação viária da concessionária, assumiram indevidamente o controle da praça de pedágio de Irati, localizada na BR-277, km 249, forçando a abertura das cancelas. Tal ação é ilegal e gera prejuízos tanto para a concessionária, que opera em total conformidade com o contrato de concessão, quanto no recolhimento de ISS repassado às prefeituras das cidades que abrangem o trecho.

A Via Araucária reforça que o sindicato Sintrapav-PR não representa os empregados das concessionárias de rodovias e sim os trabalhadores nas indústrias da construção pesada no Estado do Paraná. De acordo com a legislação trabalhista, o enquadramento sindical está vinculado à atividade preponderante do empregador. Desta forma, o sindicato representativo dos colaboradores da Via Araucária é o Sindicato dos Empregados nas Concessionárias no Ramo de Rodovias e Estradas em Geral do Estado do Paraná (Sindicrep-PR).

A concessionária assegura que todos os direitos dos colaboradores estão sendo rigorosamente cumpridos conforme o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) firmado com o Sindicrep-PR. Além disso, todas as medidas legais cabíveis estão sendo adotadas para restabelecer plenamente a operação da praça de pedágio de Irati e garantir a continuidade dos serviços prestados aos usuários da rodovia.

Por fim, reiteramos nosso compromisso com a legalidade, a segurança viária e a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Compartilhe

Deixe um comentário