Desembargador zera fila com mais de 40 mil processos utilizando algoritmo

Eduardo Morais da Rocha que assumiu em 2022 o Tribunal Regional Federal da 1ª Região se utilizou de um algoritmo simples em sistema de planilhas

Por Da Redação

Desembargador zera fila com mais de 40 mil processos utilizando algoritmo

Quando assumiu o cargo de desembargador federal no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em 2022, Eduardo Morais da Rocha se deparou com um acervo assustador: mais de 40 mil processos, entre ações em andamento e conclusas. Era o maior volume de todo o Judiciário brasileiro. Em pouco mais de dois anos, ele zerou o estoque. Como? Usando um algoritmo, mas não do tipo que envolve inteligência artificial ou programação avançada.

“Ao assumir o tribunal, resolvi aplicar uma metodologia que já havia utilizado no primeiro grau e que funcionou quando fui juiz”, explicou o magistrado no podcast do Correio Braziliense. A ferramenta em questão era uma lógica de organização baseada em planilhas, códigos temáticos e uma divisão de tarefas criteriosa entre os servidores. “Era um algoritmo que criei para zerar os processos de execução fiscal da minha vara, que já estavam zerados.”

A primeira medida foi dividir os processos por assunto, usando como base a classificação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), depois refinada com códigos próprios. “Criei códigos específicos para cada tema”, contou. Em seguida, organizou o gabinete com 12 servidores, distribuindo as tarefas conforme o perfil de cada um. “Cada um escolheu a matéria com que mais se identificava”, disse. Assuntos mais complexos foram atribuídos de forma estratégica.

O segundo passo foi a triagem. As pautas ficaram suspensas por dois meses, período em que cada processo foi registrado em planilha com tema, código, responsável e ano de entrada. A equipe foi dividida em dois grupos, que se revezavam semanalmente, o que, segundo ele, “garantiu mais qualidade de vida e menos pressão psicológica”.

Na última fase, vieram as metas. O gabinete passou a julgar mais processos do que recebia mensalmente. Com isso, o estoque foi sendo reduzido gradualmente. “A ideia era que o número de julgamentos superasse o número de processos distribuídos mensalmente. Assim, em dois anos e meio, zeraríamos o estoque antigo”, explicou.

A metodologia chamou a atenção de instituições como o Conselho da Justiça Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil, que reconheceram o impacto da iniciativa. E mesmo com o ritmo acelerado, a taxa de decisões reformadas por instâncias superiores foi mínima. “Recursos, decisões minhas que foram reformadas pelo STJ ou pelo STF não chegaram a 2%.”

Para o desembargador, o algoritmo nada mais é do que uma sequência lógica de ações para resolver um problema. “Um exemplo: uma receita de bolo é um algoritmo”, resumiu. 

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