Farra na Itaipu? secretário Sandro Alex diz que ninguém fiscaliza a hidrelétrica

Usina está processando o secretário por difamação após posicionamento em uma entrevista de rádio

Por Gazeta do Paraná

Farra na Itaipu? secretário Sandro Alex diz que ninguém fiscaliza a hidrelétrica

A Gazeta do Paraná conversou com o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, sobre a polêmica envolvendo um processo de difamação movido pela Usina Hidrelétrica de Itaipu. A ação foi protocolada no dia 3 de abril, após uma entrevista concedida por ele, ao vivo, à Rádio Mundi FM de Ponta Grossa.

Durante sua fala, Sandro Alex fez declarações como: “usina da corrupção” e afirmou que havia “sujeira por trás dos benefícios” liberados pela binacional. O secretário disse à reportagem que havia respondido a uma pergunta sobre o processo de investigação no Congresso Nacional a respeito dos gastos da Itaipu. “Hoje, na mídia nacional, há vários veículos de comunicação que levantam questionamentos sobre os gastos da usina. Inclusive, há uma revista que chama Itaipu de ‘Usina da Corrupção’. Está na capa da Revista Oeste, da semana passada”, declarou o secretário.

Em sua visão, não houve erro em se posicionar sobre os gastos e recursos que a usina vem destinando. “Hoje existem denúncias de bilhões de reais mal utilizados. É uma crítica pertinente. Posso considerar que é um erro gastar com algo que não tem boa destinação. Não acho que seja crime dizer que os recursos bilionários estão sendo mal utilizados. Também não vejo problema em criticar o hotel cinco estrelas [construído para a COP30]. Eu posso falar isso — mas eles não gostaram”, acrescentou.

Sandro Alex também afirmou que, até o momento, não recebeu oficialmente o processo, e relembrou que a denúncia do Paraguai, envolvendo a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), é muito mais relevante do que o comentário feito na rádio. “Não vi esse processo até hoje. Estão dizendo que eu causei um conflito internacional e que teria afetado as relações diplomáticas. Eu não concordo. O que de fato afetou foi a denúncia do Paraguai de que o Brasil estava usando a Abin em contratos da Itaipu. Isso, sim, é um problema para eles — e não a minha crítica”, comentou.

 

Fiscalização

O deputado federal licenciado também criticou a ausência de um órgão público responsável pela fiscalização da binacional. “Não há quem fiscalize a Itaipu. O Tribunal de Contas da União não pode fiscalizar. Existia um pedido para a criação de uma comissão de acompanhamento, mas o Governo Federal não quis instalá-la. Ora, eu prestei um juramento como deputado federal e, constitucionalmente, sou fiscal da Itaipu. Tenho o dever de me manifestar e criticar”, concluiu.

 

“Casamentos políticos”

O secretário disse ter sido o único a ser processado e questionou se os veículos de comunicação também serão. Na visão dele, trata-se de uma intimidação e de proselitismo. “Eu acredito que eles utilizam a parte social para enviar recursos às obras que realmente necessitam. Mas, mesmo assim, sempre amarrando lideranças políticas ou fazendo casamentos políticos com o proselitismo da Itaipu. Quando há liberação de recursos, a gente indica o partido que solicitou e pedimos que eles nos comuniquem. No meu caso, eu sou do Ratinho Junior, e daí a Itaipu libera para quem é do time deles. Eu não falei sobre isso na entrevista. Só comentei que os veículos estavam dizendo que existem muitas denúncias de má utilização das verbas. Os recursos que protocolei na Itaipu não foram destinados a mim; eles pegaram os próprios destinos que eu indiquei aos hospitais e repassaram para a bancada do PT”, critica.

Sandro Alex também questionou o recurso bilionário que está sendo investido na realização da COP30 (Cúpula do Clima), em Belém do Pará, em novembro deste ano. “Como se faz a COP30 em um município que tem um dos piores índices de saneamento básico do país? Vamos construir um hotel chiquérrimo para que os convidados fiquem deslumbrados, mas, na rua, tem esgoto a céu aberto. Não há um órgão fiscalizador. É um ralo por onde está saindo dinheiro — e não é pouco, é um valor bilionário. Ao invés de me intimidar ou me processar, a Itaipu poderia ter me mostrado os números”, finaliza.

 

Sobre o processo

O secretário disse que ainda não recebeu o processo em mãos e afirmou que vai se defender. Também falou sobre os trabalhos que tem feito para a conclusão da perimetral de Foz do Iguaçu. “Eu vou me defender com a liberdade que exerço no meu cargo, constitucionalmente, e com a mesma liberdade que a imprensa teve para fazer essas denúncias, por meio de reportagens que hoje circulam em todo o cenário nacional. Não acho que a Itaipu esteja acima da lei. O governante de plantão utiliza a Itaipu como bem entender. Virou, realmente, a festa da uva na Itaipu. Eles se defendem com alguns recursos que destinaram, mas não apresentam aqueles que a gente questiona. Então, para os bons recursos: proselitismo. Para os maus recursos: nada a declarar”, critica.

“Eu nunca me isentei de me posicionar — e olha que, hoje, tenho convênios que estou executando e, ao contrário da Itaipu, os nossos convênios são todos públicos. Como a perimetral de Foz do Iguaçu, que foi anexada à Ponte Brasil–Paraguai. Isso ocorreu na gestão anterior, então a transparência era absoluta no uso dos recursos. Buscamos autorização da Polícia Federal para alterações no projeto inicial. Sempre demos transparência, inclusive à Justiça. Sete juízes analisaram nossos gastos para aprovar a alteração da perimetral. Como secretário, sempre dei total transparência aos atos”, finaliza.

Nós buscamos ouvir o lado da Itaipu, mas a empresa informou que não irá se posicionar. No entanto, repassou o documento que tramita na Justiça de Foz do Iguaçu.

“Hoje existem denúncias de bilhões de reais mal utilizados. É uma crítica pertinente. Posso considerar que é um erro gastar com algo que não tem boa destinação. Não acho que seja crime dizer que os recursos bilionários estão sendo mal utilizados”

Eliane Alexandrino/Gazeta do Paraná

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