Gaeco investiga esquema de propina e furto de cargas envolvendo PM’s no Paraná

As investigações apontam que os policiais exigiam multas de motoristas que cometiam infrações na rodovia PR-466, entre Guarapuava e Pitanga

Por Da Redação

Gaeco investiga esquema de propina e furto de cargas envolvendo PM’s no Paraná

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou na manhã de terça-feira (03) a Operação Rota 466, voltada à investigação de um esquema criminoso que envolve policiais militares rodoviários lotados no posto da Polícia Rodoviária Estadual de Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná. A operação resultou no cumprimento de 29 mandados de busca e apreensão e um de busca pessoal em dez cidades paranaenses, além do afastamento cautelar de oito policiais de suas funções operacionais.

Segundo o Ministério Público do Paraná, os crimes apurados são concussão (extorsão praticada por servidor público), organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que os policiais abordavam motoristas que cometiam infrações na rodovia PR-466, entre Guarapuava e Pitanga, e exigiam o pagamento de propina para evitar a aplicação de multas ou sanções administrativas.

“O Gaeco identificou que esses policiais sistematicamente exigiam vantagens indevidas de condutores que eram flagrados cometendo alguma infração de trânsito”, explicou o promotor de Justiça Pedro Henrique Brazão Papaiz.

De acordo com o MPPR, os valores exigidos dos condutores variavam de R$ 150 a R$ 5 mil. O pagamento era geralmente realizado por Pix para contas de terceiros, identificados como “laranjas”. Em um único dia, uma dessas contas chegou a receber sete transferências suspeitas.

“Identificamos nas ações financeiras que os policiais militares usaram a conta bancária de um laranja para o recebimento desses valores indevidos. Esse laranja posteriormente repassava, às vezes até no mesmo dia, os valores para os policiais”, acrescentou o promotor.

Além do esquema de propina, o Gaeco apurou que os mesmos policiais estavam associados a uma organização criminosa especializada em saquear cargas tombadas na rodovia. Os agentes permitiam, inclusive, que os saqueadores agissem mesmo após sua chegada ao local de acidentes.

“O Gaeco identificou uma determinada situação em que os policiais permitiram que esses saqueadores furtassem a carga embaixo do próprio nariz deles. Posteriormente, essa carga era oferecida para recompra ao seu proprietário”, detalhou Papaiz.

A operação teve como alvos 20 pessoas físicas e três empresas, com diligências realizadas nas cidades de Guarapuava, São José dos Pinhais, Prudentópolis, Pitanga, Laranjeiras do Sul, Ponta Grossa, Mauá da Serra, Cascavel, Pinhão e Manoel Ribas. Durante o cumprimento dos mandados, duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas e munições, e foram apreendidos aproximadamente R$ 37 mil em dinheiro, dois veículos e diversos aparelhos eletrônicos, principalmente celulares.

Segundo o promotor, uma terceira linha de investigação também identificou a participação de outros policiais militares, não necessariamente rodoviários, que atuam em batalhões e companhias da Polícia Militar do Paraná e que teriam mantido relações esporádicas com o grupo de saqueadores. “Eles também foram incluídos como investigados na nossa operação”, destacou.

A operação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Paraná. Em nota oficial, a corporação informou que as diligências foram realizadas após análise de dados conduzida pelo Gaeco de Guarapuava e que, com base nas suspeitas levantadas, foram instaurados procedimentos administrativos e criminais para apurar os fatos. “A PMPR reitera seu compromisso institucional com a legalidade, moralidade e transparência, e segue firme na identificação e repressão de condutas incompatíveis com os valores da corporação”, afirma o comunicado.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Vara da Auditoria da Justiça Militar. Os oito policiais afastados tiveram suas armas e fardamentos recolhidos e ficarão suspensos das atividades operacionais enquanto durarem as investigações. As ações fazem parte de uma estratégia do Ministério Público para combater práticas de corrupção sistêmica dentro de instituições públicas, especialmente quando envolvem agentes armados e em posição de autoridade.

A Operação Rota 466 ainda está em curso e novas diligências não estão descartadas. Conforme o promotor Pedro Henrique Brazão Papaiz, a robustez das provas colhidas até o momento já permite a configuração dos crimes investigados. O caso segue sob apuração do Ministério Público, com o compromisso de garantir o contraditório e a ampla defesa dos investigados, conforme preconiza o devido processo legal.

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