Paraná registra 87 casos de feminicídio nos primeiros três meses de 2024, aponta estudo

Dados do Lesfem mostram que maioria das vítimas foi agredida por parceiros ou ex-companheiros; especialista destaca importância do combate à violência doméstica

Por Gabriel Porta

Paraná registra 87 casos de feminicídio nos primeiros três meses de 2024, aponta estudo

O Paraná contabilizou 87 ocorrências de feminicídio – entre consumados e tentados – nos três primeiros meses deste ano, segundo levantamento do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em comparação com o mesmo período de 2023, houve redução de 20,9% nos casos, mas um dado preocupa: em 87% das ocorrências, os agressores eram parceiros ou ex-companheiros das vítimas.  

Em entrevista à Band News, a professora Silvana Mariano, coordenadora do Lesfem, explicou que o feminicídio está diretamente ligado à violência doméstica. “Ele acontece predominantemente no contexto das relações amorosas ou familiares. O agressor, na maioria das vezes, é o companheiro ou ex-companheiro. Essa é uma característica que diferencia o feminicídio de outros homicídios”, destacou.  

O relatório da UEL revela ainda que 14% dos crimes foram cometidos na presença de crianças, 14 vítimas tinham filhos menores de idade e 3 mulheres estavam grávidas no momento do ataque. Ao todo, 51 cidades paranaenses registraram casos de feminicídio entre janeiro e março. O monitoramento, feito com base em notícias veiculadas na mídia, apontou números superiores aos oficiais: enquanto o Lesfem identificou 41 feminicídios consumados, a Secretaria de Segurança Pública registrou 24. A discrepância reforça a necessidade de aprimorar a coleta de dados, especialmente em relação às tentativas. “Precisamos avançar no registro de feminicídios tentados. Há uma invisibilidade nesses casos, que muitas vezes não entram nas estatísticas oficiais, mesmo quando há risco iminente”, alertou Silvana Mariano.  

Lei mais rigorosa e conscientização

Desde 2023, o feminicídio é classificado como crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de prisão. A mudança busca facilitar a tipificação e endurecer as punições. Para a especialista, o debate público sobre o tema tem sido fundamental: “Falar mais sobre feminicídio dá visibilidade aos casos e pode contribuir para a prevenção”.  

Em Cascavel, dois homicidios foram registrados até a divulgação do estudo. 

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